sábado, 1 de agosto de 2009

Focaccia: Pra comer hoje!




Panificação sempre me chamou a atenção. Quando eu tinha uns 10 anos, o colégio pediu um livro paradidático chamado "Viagem ao Mundo dos Micróbios", ou algo parecido, pois minha memória não é tão boa assim. Como de costume, quando minha mãe chegava em casa com aquelas 2 ou 3 caixas enooooormes de livros didáticos e paradidáticos, cadernos, blocos de folhas de papel sulfite, almaço, quadriculado, um sem fim de lápis de cor, giz de cera, canetinhas, réguas, esquadros, eu já ia lá fuçar pra ver as leituras que me interessavam, e lia nas férias mesmo, antes das aulas começarem. O sofrível disso, e hoje apenas eu percebo, é que a escola carésima de freiras que eu estudava pedia esse monte de livro paradidático (pelo menos 2 por disciplina, ou seja, pelo menos 10 livrinhos), e na hora de indicar a leitura, discutir os livrinhos, fazer testes, organizar teatrinhos do livro, ou seja, coisas que estimulariam a leitura deles, guess what? Eu terminava o ano com todos os livros lidos por iniciativa minha, porque a escola não se esforçava nem um pouco pra isso. Meus pais eram ocupadíssimos, e acabavam não notando isso (e eu não consigo imaginar porque nunca falei isso pra eles), mas a escola merecia umas boas palmadas!


Meu Deus, essa viagem foi longa! Como eu dizia aí em cima, um dos livros pedidos e nunca usados da escola foi esse dos Micróbios. Foi o primeiro livro daquele ano que eu li, e um dos que eu mais gostei: era sobre uma menina que acordou resfriada, não foi a escola, e quando chegou perto de uma fatia de pão mofada na cozinha, ouviu uma voz misteriosa: era um fungo do pão falando com ela. O fungo ofereceu a ela uma mordida de um cogumelo, ela mordeu e foi diminuindo, diminuindo, diminuindo...até ficar do tamanho do funguinho, e foi conhecer o mundo dos micróbios, desde os microorganismos patogênicos, que causam doenças e são prejudiciais, até aqueles benéficos que formam nossa flora intestinal, fermentam pão, fazem iogurte... Pronto! Dois amores meus juntos: ciências (que vieram a dar cara de Veterinária para mim) e comida! Amei o livro. E comecei a olhar com outros olhos minha mãe fazendo pão, os iogurtes, e até os antibióticos que eu eventualmente tomava para minhas intermináveis crises de sinusite.

Eu demorei para me aventurar na panificação de verdade. Lembro de um episódio com minha grande amiga Maria Tereza, a Placenta. Nós estávamos curtindo a fossa do século das nossas vidas, e ela me convidou pra ir até a casa dela fazer um pão e tomar um café da sua recém comprada cafeteira Bialetti, e lá fui eu. Ela fez o pão, e eu fiquei naquela ajuda de "coloca mais farinha!", "pega a forma pra mim?", essas coisas. Como era o primeiro pão que ela fazia, o nomeamos "Primo", que, imaginávamos, seria o primeiro de muitos pães que faríamos, e assim nunca mais precisaríamos pisar numa padaria. O café da Bialetti (salvo uma exceção, rsrs) ficou ótimo, mas quando tiramos o pão o forno, ai ai ai: ele tinha a casca muuuito grossa, o miolo seco, totalmente sem sal (e sem açúcar, e sem sabor...), uma tristeza! De raiva, comemos o Primo o tanto que aguentamos, e depois fomos fornecendo pequenos pedaços dele para o Lucky, como tira-gosto. Esse episódio aumentou a minha tensão só em pensar em fazer um pão, e quando eu fui fazer o meu primeiro pão solo, peguei a receita infalível da minha mãe. Comprei os ingredientes, amassei, deixei fermentar, tirei o ar, moldei os pães, deixei fermentando de novo, assei e...surpresa!! Meu pão ficara pior que o da minha amiga Placenta! Esse não tinha mesmo condições de ser consumido como pão, e eu acabei fazendo farinha de rosca com ele.


Passou-se o tempo e eu com a pulga atrás da orelha: foi a farinha? foi o forno? foi a fermentação excessiva/insuficiente? foi falta de fermento? Não sei o que foi. Quando fiz meu segundo pão, usei uma farinha melhor, especial para pães, medi os ingredientes direitinho, assei em fogo alto e ele ficou muito bom! Mesmo. Cheiroso, fofinho, casca fina e quebradiça, sem gostinho residual de fermento (que eu odeio)... No mesmo dia, dada as coincidências dessa vida, recebi uma mensagem da minha amiga Placenta, que dizia algo assim: "Amiga, hoje fiz o Secondo, que ficou muito bom, a despeito do Primo!". Sendo ou não coincidência, atingimos as duas juntas o nosso objetivo poético de transformar um cereal em pão, técnica que alimenta o povo da terra há muito tempo. Come-se pão (nas suas mais diversas variações) em todos os cantos do mundo, e eu aqui, na minha cozinha pequena, reproduzo algumas receitas com amor e carinho, para alimentar os que eu amo. Desde o dia do meu primeiro sucesso, vários sucessos já aconteceram aqui, e alguns fracassos, quando tento usar uma técnica que ainda não domino, ou quando não encontro os meus ingredientes preferidos (na minha cidade, nem sempre é fácil). Esse pão é muito simples, sua origem é italiana, e eu o faço sempre que quero comer alguma coisa quentinha, com gostinho de casa, cheirosa, e que me lembre que eu posso partir do ingrediente mais simples para fazer aquilo que vai com certeza agradar a todo mundo. A focaccia de alecrim, que é a mais comum, usa ingredientes que todos temos em casa, como farinha, azeite de oliva, sal grosso, fermento fresco, ou seja, é só levantar do sofá e decidir fazer um pãozinho clássico!


Focaccia é democrática, coloque por cima dela tudo o que você mais gostar. Mas coma no dia: minha focaccia, no dia seguinte, fica borrachuda (e até hoje não encontrei uma receita que não fique).



FOCACCIA DE ALECRIM/TOMATE COM AZEITONAS PRETAS E MOZZARELA DEFUMADA
Adaptada de muitos lugares, é uma mistura de muitas receitas...
Rende 1 focaccia grande, com 2 coberturas



  • 15g de fermento biológico fresco (ativo fresco, 1 tablete)
  • 700g de farinha para pães (pode ser menos, depende da absorção de água da sua farinha)
  • 450mL de água
  • 35mL azeite de oliva extra-virgem
  • Sal (eu gosto de pouquinho sal na massa)

Cobertura de Azeite e Sal (todas as focacce levam):

  • 70mL de azeite de oliva extra-virgem
  • 30mL de água
  • Sal grosso moído (ou flor do sal) à gosto

Cobertura de Alecrim:

  • Ramos de alecrim fresco bem lavado e limpo (somente as folhinhas)

Cobertura de Tomate, Mozarella e Azeitonas Pretas

  • 2 tomates italianos picados em rodelas bem finas, e secos em papel absorvente
  • 20 azeitonas pretas grandes (azapa, califórnia) picadas longitudinalmente
  • 50g de Mozarella defumada ralada na hora (corte grosso do ralador)
  1. Dissolva o fermento na água, acrescente o azeite de oliva e um pouquinho da farinha (mais ou menos 100g) e misture bem. Acrescente o sal, e vá adicionando a farinha e mexendo a massa, até que ela fique muito macia, mas não grudenta e bem homogênia. Pode ser que você não use toda a farinha.

  2. Sove bastante para desenvolver o glúten, e depois deixe-a fermentar numa tigela untada com azeite até dobrar de tamanho (em casa demorou 1h dentro do forno, coberta com filme plástico).

  3. Abra a massa com as mãos, acomodando-a numa forma grande untada com azeite de oliva, até que a massa tenha altura uniforme e fique com, no máximo, 1,5cm. Deixe fermentando por aproximadamente 1h, coberta com filme plástico. Ela vai crescer um pouquinho mais, ficando com cerca de 2-2,5cm.

  4. Pré-aqueça o forno a 250ºC. Faça furos com os dedos sobre a sua focaccia (como na foto). Bata os ingredientes da cobertura básica de azeite (menos o sal grosso) com um garfo ou fouet pequeno, até ter uma emulsão. Espalhe essa emulsão por toda a massa, fazendo com que ela fique empoçada nos furos que você fez com os dedos. Espalhe sal grosso por cima de tudo isso, e leve ao forno por 16-18minutos. Abra o forno, retire a forma de lá, e espalhe: De um lado, as folhinhas de alecrim; de outro, acomode as fatias de tomate, os pedacinhos de azeitona e a mozarella ralada. Volte ao forno por mais 5 minutos. Não deixe sua focaccia dourar: ela é mesmo um pão branquinho.

sábado, 25 de julho de 2009

70 anos de pimentas!


Em 70 anos faz-se muita coisa. Pra quem duvida, é só pensar na cara do mundo na época da Segunda Guerra Mundial, e a cara do mundo hoje. Hoje acessamos informações com toques dos dedos, viajamos para o outro lado do mundo em aviões, comemos aqui no Brasil (até eu, na minha cidadezinha pequenininha aqui do interior), o que se come em todo o mundo, com relativa facilidade. Vimos em 70 anos os EUA levantarem-se como a grande potencia econômica mundial, vimos a reconstrução da Europa, o nascimento e queda da URSS. Assistimos de camarote a criação da tristeza do povo brasileiro, quando nossa democracia foi roubada, e o retorno desconfiado do povo às ruas quando a ditadura acabou. A música mudou, a arte mudou, a gastronomia elegeu e depôs modismos.



Quando eu nasci, há 25 anos, o mundo já tinha mais ou menos essa cara. Eu já nasci no reestabelecimento da democracia, lá no ABC paulista, onde os trabalhadores saíram às ruas pedindo melhores condições de trabalho, melhores salários, e participação política daqueles que carregavam a economia da região nas costas.



Quando eu nasci, meus pais escolheram para mim os melhores padrinhos do mundo, o Tio Dado e a Tia Lena. Tia Lena cuidava de mim enquanto minha mãe e meu pai trabalhavam, e eu acabava ficando lá até de noite, porque meus pais costumavam chegar depois das 20h do trabalho. Jantava as maravilhosas sopas de legumes, caldos de feijão com macarrão, carne com batatas. Ai chegava meu padrinho, e já vinha com um potinho de vidro na mão, muito colorido, chamando a atenção da criança:

" -Que é isso, Tio???

- Pimenta. Quer experimentar?

- Quero!" (eu sempre queria...)



E ai nasceu minha paixão pelas pimentas. Em tudo o que eu colocava no prato, ia lá uma gotinha das pimentas do meu Tio (as que ele deixava, as mais fortes eu não conhecia...rs). Todas as conservas dele eram guardadas num armário debaixo da pia da cozinha, lá na casa da V. Assis, e eu abria aquele armário e ficava olhando tantos vidrinhos lindos e coloridos, com tantas qualidades diferentes de pimentas, e pensava: Tio Dado é um gênio, transforma pimenta, que poucas pessoas gostam, num complemento tão perfeito para comidas quentinhas e dias frios!



O tempo passou, eu vim para Botucatu, e, morando sozinha, fui ao mercado e comprei minha primeira conserva de pimenta, de uma marca bem conhecida. Prepara o jantar, faz o prato, senta, abre o frasco de pimenta, coloca umas gotinhas na comida e... aquilo apenas ardeu a minha boca. Não muito. Ardeu só um pouquinho, mas não tinha gosto de absolutamente nada. Por que será? Compra outra marca. Experimenta. Nada. Só ardência moderada. Troca a qualidade da pimenta. Experimenta Comari em Vinagre. Nada. Será que sou eu que cresci e não gosto mais de pimentas??? Não. Não é. Até hoje, quando visito meus tios lá naquela lonjura no ABC, eu degusto as delícias da minha tia com gotinhas de pimentas do meu tio. Eu ainda amo pimentas, mas amo as conservas bem feitas, bem temperadas, perfumadas. Aquelas que não ficam rançosas mesmo conservadas por anos em vidros com óleo. Conservar pimentas é uma arte que muitas pessoas fazem bem, mas poucas são brilhantes. E hoje, correndo o risco de não conseguir fazer uma conserva de pimenta que chegue aos pés da conserva do meu tio, achei que era um bom jeito de prestar uma homenagem para ele, que ajudou a me criar com muito carinho (e pulso bem firme), que me fazia banquinhos de madeira quando eu era pequena, que guardou os primeiros desenhos que eu fiz, que me ensinou a gostar de pimentas e de literatura. Hoje ele faz 70 anos, e essa é uma grande data: é o aniversário de uma das pessoas mais importantes da minha vida. Obrigada tio Dado! E Parabéns!



CONSERVA DE PIMENTAS MALAGUETAS





  • 1 vidro de palmito, azeitona, ou outro fervido por 20 minutos em água

  • Pimentas Malaguetas (Capsicum frutescens) que completem o vidro

  • Dentes de alho descascados

  • Ramos de alecrim

  • 1 pau de canela pequenininho

  • Óleo de girassol até completar o vidro




  1. Lave as pimentas e o alecrim, e seque sobre um pano de copa bem limpo. Coloque as pimentas, o alecrim, a canela e o alho no vidro, arrumando para que fique "simpático" para quem olha o vidro de fora. Aqueça o óleo numa panela, e quando estiver beeeeem quente, derrame o óleo lentamente sobre as pimentas, até cobri-las completamente. Feche o vidro e deixa quietinha no escuro por um mês antes de usar.



PS: como eu fiz minha conserva há pouco mais de 1 hora, ainda não a experimentei, claro. Daqui a um mês eu posto um Up, dizendo se ela ficou do jeito que eu queria. Espero que sim!


sexta-feira, 17 de julho de 2009

De novo comidinhas que minha avó fazia!


Não tem jeito: por mais que eu conheça e conheça coisas novas, experimente de tudo, goste de coisas esquisitas, ingredientes exóticos, etc, etc, etc... Tem coisas que são insubistituíveis. O cheiro de cebola, alho e sal refogados na casa da minha tia Lena (únicos temperos que ela usa, mas, veja só! Cada preparação tem um sabor diferente...), o molho de tomates pelados e queijo jovem ralado na hora da tia Lu (aquele, que acompanha aquele gnocchi que derrete na boca), os bolos de aniversário que minha mãe me fazia (fazia o bolo, os docinhos, os salgadinhos...só comprava alguns excelentes docinhos modelados da D. Antonieta, minha mãe tinha sim um trabalhão pra me agradar com as festinhas), e, claro, o que eu jamais vou esquecer: a comida da minha avó. Era tudo muito simples. Tão simples que parecia inacreditável ser tão bom. A carne assada era temperada apenas com sal, um dia antes de ir para a panela com batatas, que ficavam coradinhas. A sopa de pão que ela fazia quando eu era criança era uma barbada: pão amanhecido, leite, sal...e eu não queria mais nada para a janta. O macarrão com ovo (que eu descobri depois que tratava-se de Spaghetti alla Carbonara...) era ovo batido, um pedacinho de queijo ralado na hora, toucinho defumado, sal, pimenta do reino moída e spaghetti cozido bem quente jogado por cima. Só mais um minutinho no fogo e já estava divino. E o Cuscuz Paulista, meu Deus! Famoso, era o pedido dos filhos quando a visitavam, que de simples que era, sagrou-se como um dos sabores mais complexos que eu já provei. O dela era feito com sardinha. Aqui em casa, para agradar o pessoal que o comeu, coloquei atum - por mim, podia mesmo ser feito com pedações de sardinha pelo meio da massa e também decorando prato, como a Vóinha fazia. O meu não levou palmito, pelo simples fato de que não tinha na despensa.
O fato é que não ficou igual ao da minha avó. Eu tenho paciência, apuro bem o molhinho na hora do cozimento, tempero direitinho, e, tecnicamente, meu cuscuz sai bem perto do ideal (sem falsa modéstia... rsrs). Mas falta o cheiro da casa dela, o jeito que ela mexia as panelas, as pragas que ela dizia sobre as facas mal-afiadas. Igual à comida da minha avó eu nunca comi.
CUSCUZ PAULISTA
Adaptado da lembrança que eu tenho do cuscuz da Vóinha
Rende um cuscuz em forma de 25cm de diâmetro com furo no meio
Xícara medidora: 240mL
Massa:
  • 1/4 de xícara de azeite de oliva
  • 1 cebola grande picada (não muito pequeno)
  • 4 dentes de alho picado (bem pequenininho)
  • 3 tomates pelados e sem sementes batidos no liquidificador (pode trocar por polpa de tomate)
  • 1/2 xícara de farinha de mandioca torrada fina
  • 3/4 de xícara de água
  • 3 latas de atum em pedaços conservado em água
  • 1/2 lata de ervilhas
  • 1/2 lata de milho verde
  • 10 azeitonas verdes sem caroço picadas
  • pontas das claras dos ovos cozidos para a montagem
  • Pimenta do Reino, sal, salsinha e cebolinha à gosto
  • Farinha de milho biju até dar ponto (aquela em flocos amarelinhos)
  1. Refogue as cebolas e o alho no azeite. Quando estiver dourado, coloque os tomates e cozinhe por alguns minutos, com o fogo baixo e mexendo sempre.
  2. Adicione a farinha de mandioca e mexa vigorosamente.
  3. Em seguida, adicione a água e todos os outros ingredientes depois, menos a farinha de milho.
  4. Vá adicionando colheradas de farinha de milho e mexendo, em fogo baixo, até conseguir uma massa que seja bem macia, mas desgrude das mãos. Reserve.

Montagem:

  • 2 ovos cozidos em rodelas (fatias de 1cm)
  • 1 tomate em rodelas bem finas
  • azeitonas
  • milho em lata
  • óleo para untar a forma
  1. Unte a forma de buraco no meio com óleo. Comece dispondo os ovos e as rodelas de tomate de um jeito que forme um desenho harmonioso, mas não espere a perfeição estética: o cuscuz é um prato rústico, e vai ficar lindo mesmo que estiver tortinho.
  2. Quando os ovos e os tomates já estiverem arrumados, coloque o milho por cima, tomando cuidado para que o milho cubra apenas os espaços entre os ovos e os tomates, e não fique em cima destes, porque senão na hora de desenformar, eles separam a decoração da massa. Vá encaixando as azeitonas onde tiver um espacinho.
  3. Pegue com as mãos porções de massa do tamanho de bolas de tênis e vá acomodando a massa na forma. Aperte bem entre uma camada e outra, para que ele fique compacto e desenforme bem.
  4. O cuscuz não precisa ir para o forno: já está pronto e pode ser desenformado na hora. Costuma-se servir o cuscuz morno ou frio, com salada de folhas verdes.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Quiche gostosa com ingredientes que eu tinha em casa


Olá!

Se existe uma coisa que me chateia é jogar comida fora. Não adianta: sempre que eu vejo algo na minha geladeira que já está "passadinho", penso porque eu comprei tanto, e existem milhares de pessoas passando necessidades no mundo quando eu posso me dar o luxo de deixar estragar algo na minha casa. Então, quando eu estava visitando minha mãe e ela me pediu para fazer uma Quiche Lorraine, não tive dúvidas: fiz uma quiche alternativa com o restinho de couve-flor cozida do almoço, e usei o queijo disponível (um parmesão de boa qualidade) ao invés de sair atrás de um gruyère. E ela ficou muito boa! Recomendo!



QUICHE COM COUVE FLOR E BACON
Rende uma quiche
Tempo de preparo: 1h



Massa:



  • 250g de farinha de trigo comum
  • 125g de manteiga sem sal gelada cortada em cubos
  • 50mL de água gelada
  • uma pitadinha de sal (eu não costumo colocar nada...)
  1. Vá esfarelando a manteiga nas palmas das mãos e misturando à farinha, até virar uma farofa não muito homogênia. Acrescente a água, misture rapidamente, formando uma bola de massa. Não sove nem mexa na massa por muito tempo, para não desenvolver o glúten da farinha, para que a massa já assada fique compacta e crocante. Envolva a massa em filme plástico, e coloque na geladeira por 20 minutos antes de usar.
  2. Coloque a massa gelada no meio de uma forma redonda de 25cm de diâmetro (com fundo removível), e vá apertando-a com as mãos, para fazer uma cobertura de todo o fundo e lateral da forma que fique não muito grossa, e bem distribuída. Faça furos em toda a massa com um garfo e asse em forno pré aquecido a 200ºC, por aproximadamente 8 minutos (ou até a massa ficar firme, mas sem dourar). Reserve.
Recheio:


  • 4 ovos
  • 100g de parmesão de boa qualidade ralado grosso na hora (cerca de 1 xícara)
  • 200g de creme de leite fresco (1 xícara)
  • 150g de bacon em cubos
  • 1 xícara de couve-flor cozida e separada em flores de 1cm de diâmetro
  • Sal, pimenta do reino preta moída e noz moscada ralada a gosto


  1. Prepare o bacon: frite-o em panela anti aderente até que toda a gordura saia e ele fique bem crocante e dourado. Reserve.
  2. Prepare o creme: Bata os ovos, acrescente o creme de leite, o queijo ralado, o sal, a noz moscada e a pimenta, e misture muito bem. Reserve.
  3. Montagem: sobre o fundo da massa pré assada, coloque a couve flor e os cubos de bacon. Sobre eles, coloque o creme de ovos. Asse no forno pré aquecido a 200ºC até firmar e ficar levemente dourado na superfície.






terça-feira, 30 de junho de 2009

Bolo de Banana Caramelado (Para cair no gosto do paranaense daqui de casa...)


Cuque é um bolo muito delicado, feito com uma miríade de frutas diferentes, e muito conhecido no sul do Brasil. Eu já comi cuque de banana do Haroldinho, cuque de banana da confeitaria A Familiar de Curitiba, cuque de frutas vermelhas do Alexandre, e cuque de uva (a melhor combinação para o meu paladar) da mãe da Thaíne (saudade desse povo...). Todos me encantaram de verdade, mas eu inventei de fazer uma receita que eu como desde pequena para o paranaense aqui de casa provar. Não sei se ela é típica de algum lugar do país, mas na minha casa, quando alguém falava em fazer Bolo de Banana, era algo muito parecido com isso que era executado...



BOLO DE BANANA CARAMELADO
Rende um bolo de buraco no meio de 25cm de diâmetro



Caramelo:
  • 1 xícara e meia de açúcar
  • 3/4 de xícara de água
  • 5 bananas nanicas bem maduras
  1. Misture os dois primeiros ingredientes em uma panela (sem revestimento de teflon, para que se possa ver a cor) e cozinhe até formar uma calda não muito escura, e forre uma forma de buraco no meio de 25cm de diâmetro com ela.
  2. Corte as bananas em metades longitudinais e forre o fundo da forma. Se sobrou caramelo, pode colocar sobre as bananas. Reserve.


Massa:
  • 2 claras em neve
  • 2 gemas
  • 4 colheres de sopa de água
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1 xícara de açúcar
  • 1/2 colher de sopa de fermento químico
  • 1 colher de chá de extrato natural de baunilha
  1. Na batedeira, bata as gemas com a água, quando dobrar de volume, acrescente o açúcar. Bata até ficar um creme claro e fofo. Coloque a baunilha, e desligue a batedeira. Misture o fermento químico com a farinha e coloque aos poucos no creme, mexendo delicadamente. Quando estiver homogênio, coloque as claras em neve, e mexa delicadamente. Não é desejável nesse momento que a massa fique muito homogênia, e sim, que tenha "grumos" de clara em neve. Coloque sobre a assadeira de buraco no meio preparada com as bananas.
  2. Leve ao forno médio (150-180 graus), e asse por aproximadamente 40 minutos. Teste com um palito para ver se está assado. Espere esfriar um pouco. Desenforme enquanto ainda estiver morno sobre um prato de servir.

Ele desenforma bem fácil, e fica com boa altura, além de lindo e gostoso, claro!






segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pãozinho de Queijo do meu jeito!

Olá!
Lembro de quando era novinha, meus pais costumavam visitar a fazenda de uma amiga da faculdade, a Tia Alda. A fazenda ficava em Minas Gerais, e eu vivia atrás dos cavalos, vaquinhas de leite, porquinhos, do pomar, essas coisas que só podiam apaixonar uma criança e torná-la veterinária quando mais crescidinha - e assim foi feito. Além da óbvia paixão pelos animais, eu já guardava e cuidava de outra paixão arrasadora: comidas tradicionais. Conhecer um lugar e não conhecer sua comida, seus temperos, seus utensílios de cozinha típicos, é conhecer pela metade. Os preconceituosos da comida perdem muito do cenário visitado se não se arriscam a provar aquilo que o povo local valoriza como seu: é assim com o acarajé com vatapá na Bahia, as moquecas maranhenses e capixabas, o churrasco e chimarrão gaúcho no inverno, o camarão de todas as formas do mundo no Ceará, o barreado do paranaense. Isso falando apenas do Brasil, claro. E quando eu era petitica e ia pra Minas Gerais com meus pais não era diferente: doces de leite apurados para vários pontos diferentes, queijo fresco, tachos de barro pendurados na área de serviço, geléias de todas as frutas do pomar, colheres de pau imensas, compotas, doces com base de ovos (pézinho de Portugal...), pão caseiro, café puro, leite tirado da vaca um tico só de tempo antes, angu, couve, churrasco de carneiro (com uma mistura de temperos, não só com sal), e claro, estrelando uma grande paixão de infância, Pão de Queijo. Eu lembro como se fosse hoje do cheiro do pão de queijo saindo do forno crocante, molinho por dentro, com pequenos pontos de queijo derretido no meio da massa. E é dessa lembrança, e com a ajuda de uma receita da minha mãe, que eu inventei essa aí: tem a cara da minha lembrança!

PÃO DE QUEIJO DO MEU JEITO:
(cerca de 30 pãezinhos)

500g de polvilho azedo
300mL de leite integral
150mL de óleo de girassol
3 ovos
500g de queijo meia cura ralado grosso
150g de queijo minas padrão ralado grosso
Sal (se o seu queijo não for suficiente para salgar a massa)

Coloque o polvilho numa tigela bem grande. Aqueça o leite até quase ferver, junte nele o óleo, e misture vigorosamente, para formar uma emulsão. Despeje essa mistura sobre o polvilho e mexa rapidamente com uma colher de pau, até que todo o polvilho tenha sido umedecido pelo líquido, e tente desfazer as pelotinhas. Espere esfriar, coloque os ovos, misture bem, coloque o queijo meia cura e sove bem. Por último, coloque o queijo padrão, misture delicadamente, faça bolinhas e asse sobre papel manteiga (facilita a limpeza da forma) até que fique douradinho. Recheie como quiser (queijo cremoso, queijo cremoso com azeitonas, manteiga, geléia, doce de leite...), ou coma purinho mesmo! Infalível, simples e delicioso!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Chegou!!


Há uns dias chegou o livro que o Beto me enviou, pelo Desafio de Aniversário do Blog dele, o lindo e extremamente didático Receita Passo a Passo, http://receitapassoapasso.blogspot.com/ . Gente, o livro é muito especial, amei! Fico muito grata ao Beto e claro, a todos que votaram em mim! Este é meu primeiro livro de receitas, fico com ele pra cima e pra baixo...rs.
Já separei várias receitas dele para fazer, e depois posto aqui.
Logo apareço com as receitas que eu fiz no final de semana...